JN | Artigo de Opinião: Desenganem-se

Foram precisos mais de 30 anos de militância partidária para assistir à hecatombe eleitoral autárquica que se verificou no passado dia 1 de outubro. Eu, como milhares de outros por este país fora, assistimos com surpresa e choque à sucessão de resultados que varreram todo o território nacional e deram uma vitória história ao PS, essencialmente à custa do PSD.

Mas, mais do que a surpresa pela coleção de derrotas – algumas impensáveis há bem pouco tempo – é talvez o tamanho e profundidade de alguns números que me deixaram em sobressalto.

O caso do Porto é (sempre) um caso à parte dos outros. Uma derrota pesada que deixa “feridos e mortos” (politicamente falando, claro) em campo. Causas externas? Um PS alavancado pelo momento nacional e governativo, com Pizarro a cavalgar a vitimização pela forma como foi afastado por Rui Moreira, uma bipolarização do sentido de voto (criada por uma sondagem “empatada”) e, manifestamente, a questão do “voto útil” (do centro-direita) em Rui Moreira, que travaria (como travou) a possibilidade de vitória de Manuel Pizarro. Acho que posso afirmar, sem me enganar, que (mais uma vez) Rui Moreira ganhou com os votos do PSD e do CDS e ganhou com maioria absoluta.

Para as causas internas as explicações serão certamente outras. Como alguém me dizia hoje mesmo, os populistas encontram explicações simples para questões complexas e o PSD do Porto dispensa bem populismos e revanchismos pós-eleitorais. Tudo a seu tempo, mas sem perder tempo.

Sem dramatismos e independentemente daquilo que o PSD nacional nos ofereça, o PSD do Porto tem de clarificar processos, protagonistas e estratégias. Com tempo (e tempo é um bem precioso que o PSD passou a ter e pode usar em seu favor) precisamos chamar os ausentes, cativar os descontentes e recuperar alguns dos desistentes. Mas, se tudo se resumir a “dança de cadeiras” ou “sacos de votos”, se não conseguirmos fazer a unidade na diferença, sem preconceitos, sem ódios e sem ajustes de contas, então o tempo, o tal tempo que tanto precisamos, será tempo perdido e perdido a favor dos nossos adversários, de hoje e do futuro.

Ademais, temos de honrar o voto dos portuenses, seja na Oposição seja em matéria de coligações (formais ou informais), na Assembleia Municipal e nas assembleias de freguesia, em debate interno, participado, aberto, assumido e sem segredos ou protagonismos indesejados de uma Comissão Política e um presidente em fim de ciclo.

Mas o PSD é bem maior que um momento, uma eleição ou um desaire. Temos história, memória e orgulho em tudo o que fizemos ao serviço dos portugueses e dos portuenses. E vamos voltar. Mais fortes e mais motivados. Desenganem-se os que acreditam em notícias sobre o PSD “esmagado” no Porto, sem rumo e sem liderança. No que depender de mim nunca assim será. E sei que não estou sozinho neste propósito.

Paulo Rios, Deputado do PSD

in JN

Artigo original: Desemganem-se